UE quer controle do funcionamento da cadeia alimentar

A Comissão Europeia quer melhorar o funcionamento da cadeia alimentar de modo a reduzir as diferenças entre os preços nos produtores e nos consumidores, criando um instrumento de controlo europeu.

A primeira versão do instrumento de controlo, desenvolvida pelo gabinete de estatísticas europeu, Eurostat, foi hoje apresentada no seu sítio da Internet, integrando dados comunitários e nacionais, com o objectivo de disponibilizar números sobre a evolução dos preços. "Queremos que os consumidores paguem o preço correcto pelos produtos e que os produtores e distribuidores sejam devidamente compensados pela sua actividade", disse a porta-voz da Comissão Europeia para a Economia, Amélia Torres.

Com a comunicação de hoje, Bruxelas quer promover relações sustentáveis e assentes no mercado entre os intervenientes na cadeia alimentar, aumentar a transparência e impulsionar a integração do mercado interno dos produtos alimentares e a competitividade de todos os sectores da cadeia alimentar.

A cadeia alimentar engloba sectores importantes - agrícola, indústria de transformação de produtos alimentares e distribuição - que, no seu conjunto, representam mais de sete por cento dos postos de trabalho europeus. Estes sectores têm um impacto directo em todos os cidadãos, uma vez que os produtos alimentares representam, em média, 16 por cento das despesas dos agregados familiares.

A evolução dos preços dos produtos alimentares tem vindo, desde há algum tempo, a suscitar preocupações quanto ao funcionamento da cadeia alimentar. A acentuada quebra, em 2008, dos preços dos produtos agrícolas não se traduziu, até ao presente, numa redução dos preços dos produtos agrícolas a nível dos produtores e dos consumidores.

Esta situação tornou-se particularmente evidente, nos últimos meses, no sector do leite e dos produtos lácteos. No final de 2010, Bruxelas irá apresentar um relatório sobre o avanço destas propostas.

Tendo em conta a importância da implicação dos intervenientes e dos Estados membros para o êxito destas iniciativas, a Comissão propõe alargar a composição, o estatuto e o mandato do Grupo de Peritos de Alto Nível sobre a competitividade da indústria agro alimentar, criando assim um espaço de discussão para a cadeia alimentar.