Trilha do Imperador, está fechada ao público

São Paulo - Um dos principais atrativos da Estação Ecológica de Juréia-Itatins, no Vale do Ribeira, em São Paulo, a Trilha do Imperador está totalmente fechada à visitação pública desde o início de março. Segundo Luiz Roberto Numa de Oliveira, diretor da Divisão de Reservas e Parques Estaduais do Instituto Florestal, o fechamento deverá durar alguns meses e é resultado de uma vistoria técnica, que detectou necessidade de correções de traçado no trecho aberto da trilha, e da necessidade de normatizar a forma de utilização e monitoramento da visitação. O fechamento interrompeu a principal atividade da Associação de Monitores Ambientais de Iguape (AMAI), formada por 28 jovens da comunidade, que há dois anos tinha a exclusividade sobre a visitação local. Desde janeiro de 2001, a entidade tem um acordo com o Instituto Florestal pelo qual controla e monitora os grupos no percurso de 1.643 metros (até a segunda cachoeira a partir da Praia da Juréia), onde é permitida a visitação. Pelo trabalho, os monitores, capacitados em cursos do Instituto Ing-ong de Planejamento Socioambiental, cobravam R$ 5,00 por pessoa. Esse acordo, no entanto, foi contestado pela entidade ambientalista Eco Juréia, com o argumento de que o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (Snuc) proíbe a visitação pública em estação ecológica. Para a organização não-governamental, a concessão para o controle da Trilha é ilegal também por excluir outros monitores, que teriam formação superior aos da AMAI. “O turismo vem se implantando no Morro da Juréia e o turismo clandestino avançando além do rio Verde”, diz Walter da Silva, presidente da organização não-governamental. “O acesso até este local era aberto até cerca de quatro anos atrás, quando fechamos por falta de guardas-parque para monitorar. O trabalho com os monitores viabilizou a abertura, mas era em caráter experimental e não formalizado. Com os questionamentos e levantamentos técnicos, resolvemos normatizar”, explica o diretor da Estação Ecológica, Joaquim do Marco Neto.

Embora reconheça o problema legal do turismo na Juréia, por ser uma atividade proibida nesse tipo de unidade de conservação, o diretor de Parques do IF afirma que que a visitação monitorada, em algumas áreas atende ao objetivo de pesquisa e educação ambiental da reserva. “A experiência com a AMAI foi bem sucedida, por manter a função da Trilha dentro da unidade e por oferecer alternativa para a comunidade de moradores e deverá ser retomada depois das obras e da normatização”, diz. Para Oliveira, “é preciso evitar cair em armadilhas de tecnicismos em relação à Estação. A visitação em locais tradicionais, como o Trilha do Imperador, precisa ser o menos impactante possível, mas deve acontecer, pois temos compromissos com a manutenção do patrimônio biológico da Mata Atlântica local, mas também com a população tradicional e com a sociedade, que têm o direito de usufruir da reserva”. As possíveis soluções para os impasses da Estação Ecológica, que não se restringem à Trilha, começarão a ser discutidas a partir da instalação do Conselho Consultivo da unidade - formado pelo governo e sociedade civil -, que acaba de ser implantado. A Trilha do Imperador é um caminho secular, por onde peregrinos faziam procissões anuais, por dentro da atual área de preservação. É a principal via de acesso a área mais bonita, preservada e cobiçada da reserva, principalmente no trecho que vai da Praia da Juréia em Iguape até a foz do rio Verde, através do Maciço da Juréia. O trecho antes destinado à visitação corresponde à metade desse percurso. Monitores ambientais e a Prefeitura de Iguape, porém, reivindicam a sua abertura total.