São Paulo debate estratégia sobre redução de riscos e desastres

05/12/12 17:42

São Paulo debate estratégia sobre redução de riscos e desastres

Desabamentos, enchentes, inundações têm se tornado alguns dos principais temores da população, atualmente. Destruidores de casas e vidas, os desastres naturais preocupam também os agentes públicos.

O Governo do Estado de São Paulo promove o IV Seminário “Estratégias para redução de riscos e desastres a eventos geodinâmicos no Estado de São Paulo” para discutir soluções para esses problemas.

A abertura do seminário aconteceu nesta quarta-feira, 5, com a participação do secretário adjunto do Meio Ambiente, Rubens Rizek, do secretário adjunto da Habitação, Marcos Penindo, do diretor geral do Instituto Geológico – IG, Ricardo Vedovello, do diretor do Departamento de Defesa Civil, Walter Nyakas Júnior, e do Ten. Cel. PM, Airton Iosimo Martinez.

O objetivo do encontro é avaliar as estratégias em curso e delinear atuações futuras para enfrentar o desafio da redução dos riscos e desastres relacionados a eventos naturais. “Nada é mais prioritário para o Estado que cuidar de vidas”, afirmou Rizek. Tratando-se de desastres ambientais, as políticas públicas devem visar prever o problema. “O maior investimento nesse sentidoem São Pauloé o Projeto Serra do Mar que retira famílias de áreas perigosas e as reassentam em unidades habitacionais”, acrescentou.

Como suporte, o IG gera o mapeamento das principais áreas de risco para os municípios. Taubaté e Guaratinguetá estão entre as nove cidades que tiveram os dados de mapeamento atualizados, em 2012. As duas cidades receberam, durante a solenidade, o novo relatório. O prefeito de Guaratinguetá, Antônio Gilberto Júnior, lembrou que o desastre ocorrido no início em 2010 no Vale do Paraíba serviu de alerta para que planos fossem pensados com urgência.

Ainda na abertura, foram assinados termos de cooperação e protocolos de intenção que reforçam a articulação institucional, com objetivos, análises técnicas e responsabilidades para cada órgão.

A importância da prevenção e da gestão de riscos

Segundo os especialistas, os desastres naturais que ocorrem no Brasil, em sua maioria, não podem ser evitados, entretanto, medidas preventivas como análises de vulnerabilidade, mapeamento, projeto arquitetônico adequado e educação ambiental podem ajudar, mas para tanto é fundamental a integração e articulação das entidades estaduais, federais e municipais.

Para o geólogo Claudio Palmeiro do Amaral, esta é a principal problemática da questão. “Há uma confusão hoje dos diferentes níveis: federal, municipal e estadual; falta entrosamento uma lei específica. É preciso articular e integrar ações”, explica.

Já para a coordenadora do grupo NOH-Núcleo Habitat sem Fronteiras Lara Leite Barbosa, a solução está na mudança de cultura e nos processos de urbanização do país: “é interessante ressaltar que o ciclo de gerenciamento de desastres envolve três fases distintas: Antes, Durante e Depois. Segundo ela, a participação da comunidade é fundamental. É preciso educá-las para que elas saibam agir em situações de desastres, além de gerar uma maneira sustentável de se reerguerem após os desastres.

Segundo os especialistas, há ainda a questão do planejamento urbano. Dentro desse contexto, Rafael Schimidt do Instituto de Arquitetos do Brasil levantou a importância de preparar futuros profissionais e destacou o concurso oferecido pelo IAB para estudantes de arquitetura e urbanismo, que tem por objetivo o desenvolvimento de propostas de habitação de interesse social em áreas de risco.

Ao final do evento, os especialistas reforçaram que a ação mais importante para evitar tragédias é melhorar a capacidade de gestão do uso e ocupação do solo nas nossas cidades evitando que áreas de risco sejam ocupadas. E nisso, infelizmente, não avançamos nada. O problema é como evitar que novas situações de risco sejam estabelecidas. Isso não acontecerá sem um processo de gestão de uso e ocupação do solo, que é algo completamente precário em todos os municípios do nosso país, concluiu Cláudio Palmeiro do Amaral.

 

Texto: Catherina Victoria Gazzoni/ Edinéia Franco de Jesus