SMA e ITESP firmam parceria para recuperação ambiental em assentamentos

Preservação ambiental e produção agrícola caminham juntas no assentamento Sumaré I, na cidade homônima. A comunidade serve de exemplo para outras famílias assentadas. Com o objetivo de promover esse conceito nos demais assentamentos paulistas, a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo – SMA e a Fundação Instituto de Terras do Estado de São Paulo José Gomes da Silva – ITESP firmaram protocolo de intenções, em 02.06, que visa incentivar a recuperação das matas ciliares, formação de corredores ecológicos e implantação de projetos de captura de gases de efeito estufa. Conforme já é feito no assentamento em Sumaré, o projeto envolve a capacitação dos jovens assentados na recuperação ambiental e promove a sensibilização de todas as famílias.

“Só com uma divisão justa de terra e com consciência ambiental é que o Brasil vai crescer, mostrando que esse modelo de assentamento dá certo” disse Sônia Silva, moradora do assentamento Sumaré I. A jovem de 22 anos é técnica em meio ambiente e estuda turismo para desenvolver essa prática no assentamento. “Somos pioneiros na construção do assentamento, na recuperação florestal e no modelo de reforma agrária”, declarou.

Não é à toa que o grupo de jovens que participa do projeto se intitula ‘Os Pioneiros’. “Em seis anos mais de 35 meninos passaram pelo projeto. Muitos estudaram e alguns trabalham hoje em multinacionais”, contou Fábio Barbosa, coordenador de campo do grupo. “Já recuperamos 24 hectares nos três assentamentos, onde cerca de 150 famílias vivem. A comunidade tem outra mente hoje, principalmente com relação a recursos hídricos e lixo”, afirmou.

Para o secretário do meio ambiente, Xico Graziano, o assentamento é exemplar em todos os sentidos. “Não temos mais que discutir os problemas, mas fazer as coisas acontecerem, e aqui vocês estão fazendo”, elogiou. Graziano também ressaltou o papel da juventude. “A sociedade brasileira e mundial precisou dos jovens para promover essa mudança de consciência ambiental”, disse.

De acordo com o diretor executivo do ITESP, Marco Pilla, há cerca de 40 mil hectares em assentamentos que podem ser recuperados. “Esse laço de parceria, no qual os funcionários do governo vão a campo, faz com que essa consciência ambiental saia da teoria para a prática”, destacou.

A coordenadora de biodiversidade e recursos naturais da SMA, Helena Carrascosa, que acompanhou o projeto desde o início, acredita na produção aliada a conservação. “O que a gente precisa é buscar a sustentabilidade da nossa produção agrícola. E esse projeto mostra isso. É uma semente que foi plantada a várias mãos e frutificou”, enfatizou.

O projeto envolve além do governo e das famílias assentadas, as empresas que desde o início patrocinaram os estudos dos jovens e as universidades que auxiliam no trabalho de capacitação técnica. Os resultados do projeto são visíveis. Aproximadamente 50% da produção agrícola dos assentamentos Sumaré I, II e III é orgânica e cerca de 110 espécies de aves foram identificadas na região recuperada. Atualmente, os jovens trabalham na recuperação das nascentes existentes nos assentamentos.


Fábio Barbosa ao lado dos meninos que participam do projeto
Fábio Barbosa ao lado dos meninos que participam do projeto
Para Xico Graziano o assentamento é modelo de reforma agrária
Para Xico Graziano o assentamento é modelo de reforma agrária
Sônia Silva representou as famílias assentadas
Sônia Silva representou as famílias assentadas
Xico Graziano e Marco Pilla assinam o protocolo de intenções
Xico Graziano e Marco Pilla assinam o protocolo de intenções
Xico Graziano recebeu uma cesta com produtos cultivados no assentamento
Xico Graziano recebeu uma cesta com produtos cultivados no assentamento