Relatório de Qualidade Ambiental apresenta resultados da gestão paulista

A tomada de decisão por parte de gestores públicos e privados deve ser embasada em dados técnicos para que o objetivo almejado seja atingido. Com o avanço da temática ambiental na pauta de líderes mundiais, passa a ser imprescindível não separar o viés econômico, do social e ambiental. Com a finalidade de basear a elaboração de políticas públicas que envolvam esse tripé, a Secretaria Estadual do Meio Ambiente – SMA lançou nesta quarta-feira, 31.03, o Relatório de Qualidade Ambiental 2010. Para o secretário adjunto do meio ambiente, Pedro Ubiratan, o estado é referência não só na agenda ambiental. “São Paulo sempre teve um papel de vanguarda no estado brasileiro. Nossas medidas tendem a se replicar no nível federal e regional”, afirmou.

De acordo com o coordenador de planejamento ambiental da SMA, Casemiro Tércio Carvalho, a publicação é uma tradução de toda a qualidade ambiental do estado. “Não é só um relatório com tabelas e dados, mas também uma análise crítica”, disse.

A primeira parte do relatório traz a caracterização das Unidades de Gerenciamento de Recursos Hídricos – UGRHIs, definindo os potenciais de cada uma. Desse modo, possuem viés de conservação as bacias hidrográficas da Mantiqueira, Litoral Norte, Ribeira de Iguape/Litoral Sul e Alto Paranapanema. Com perfil industrial são as UGRHIs Paraíba do Sul, Piracicaba/Capivari/Jundiaí, Alto Tietê, Baixada Santista e Sorocaba/Médio Tietê. Já as bacias do Pardo, Sapucaí/Grande, Mogi Guaçu, Baixo Pardo/Grande e Tietê/Jacaré são caracterizadas como em industrialização. Por fim, com foco aspecto agropecuário temos as bacias do Turvo/Grande, Tietê/Batalha, Médio Paranapanema, São José dos Dourados, Baixo Tietê, Aguapeí, Peixe e Pontal do Paranapanema.

O relatório contempla na segunda parte o diagnóstico dos recursos hídricos, qualidade do ar, biodiversidade, recursos pesqueiros, qualidade do solo e seu uso e ocupação, saneamento ambiental e a relação entre saúde e meio ambiente. Conforme os dados, das 22 UGRHIs, oito demandam mais da metade da água que possuem, o que coloca as bacias em uma situação crítica de suprimento.

Um dos destaques do relatório se dá na interface entre saúde e meio ambiente. “Historicamente a saúde não era abordada na agenda ambiental. Isso é uma inovação desse relatório”, ressaltou Tércio. De acordo com a Organização Mundial de Saúde – OMS, para cada US$ 1 investido na área ambiental, economiza-se US$ 5 na saúde. Segundo os dados da publicação, a poluição atmosférica provoca ou agrava os sintomas de uma série de doenças respiratórias, cardiovasculares e neoplasias, sendo estas as principais causas de morte nos grandes centros urbanos.

O capítulo final traz outra inovação. Além de dados diagnósticos, o relatório apresenta cinco artigos escritos por profissionais do Núcleo de Economia Socioambiental da Universidade de São Paulo – NESA/USP. Os temas abordados nos textos remetem à descarbonização da economia, às políticas públicas e a qualidade ambiental, a matriz energética e os avanços do etanol e os desafios da macrometrópole.

Ricardo Abramovay, que assina alguns dos artigos, enfatizou que as opiniões foram discutidas com os técnicos que participaram da elaboração do relatório. “Não se trata de adotar uma posição preto no branco, mas de chamar a atenção dos problemas que a sociedade tem que estar atenta”, disse. “O meio ambiente não é um problema de governo, mas da sociedade”, concluiu.

O relatório é complementar a outras publicações, como o Painel de Qualidade Ambiental, que aborda os dados técnicos em linguagem mais simples para o público e geral; além do Economia Verde: desenvolvimento, meio ambiente e qualidade de vida no Estado de São Paulo, que apresenta uma perspectiva de transição econômica com foco na agenda ambiental; e o Cenários Ambientais 2020, que faz uma projeção do panorama ambiental a daqui 10 anos.

 


Ricardo Abramovay
Ricardo Abramovay
 Pedro Ubiratan e Casemiro Tércio Carvalho
Pedro Ubiratan e Casemiro Tércio Carvalho