Relação entre mangue e a Mata Atlântica

A Mata Atlântica ocorre nas encostas orientais do planalto atlântico e nas baixadas litorâneas contíguas. Muito rica em espécies e abrigando uma fauna diversificada, recobria de modo quase contínuo uma faixa paralela ao litoral, desde Santa Catarina até Rio Grande do Norte.

Sua devastação teve início ainda no século XVI, com o ciclo do pau-brasil, prosseguindo até os dias atuais, quando restam cerca de 5% da cobertura florestal original (quase que exclusivamente nas vertentes da Serra do Mar). Movimentos ecológicos lutam pela preservação da flora e fauna das áreas remanescentes.

Pesquisa realizada pela Fundação SOS Mata Atlântica e pelo instituto Nacional de Pesquisas Espaciais revela que em cinco anos o Brasil perdeu 533 mil hectares de floresta atlântica com a derrubada de 1,07 bilhão de árvores. Esse número representa 6% do que havia em 1985. Calcula-se também que, de 1990 a 1993, mais 316.888 hectares de florestas foram derrubados.

As principais causas do desmatamento são a proliferação de pastagens, o plantio de eucaliptos e a implantação de monoculturas comerciais, como a da soja e a da cana.

A Mata Atlântica é a floresta mais diversificada do planeta, com mais de 25 mil espécies de plantas. O elevado índice de chuvas ao longo do ano permite a existência de uma vegetação rica, densa, com árvores que chegam a 30 metros de altura.

Destacam-se o pau-brasil, o jequitibá, quaresmeiras, o jacarandá, o jambo e o jambolão, o xaxim e o palmito, a paineira, a figueira, a caviúna, o angico, a maçaranduba, o ipê-rosa, o jatobá, a imbaúna, o murici, a canela-amarela. O sub-bosque, composto por árvores menores, abriga numerosas epífitas, gravatás, bromélias, orquídeas, musgos e liquens, samambaias, begônias e lírios de várias espécies.

Alguns dos principais exemplares da fauna da Mata Atlântica estão ameaçados de extinção: a onça-pintada, a jaguatirica, o mono-carvoeiro, o macaco-prego, o guariba, o mico-leão-dourado, vários saguis, a preguiça-de-coleira, o caxinguelê, o tamanduá. Entre as aves destacam-se o jacu, o macuco, a jacutinga, o tiê-sangue, a araponga, o sa-nhaço, numerosos beija-flores, tucanos, saíras e gaturamos. Entre os principais répteis desse ecossistema estão o teiú, um lagarto de mais de 1,5m de comprimento, jibóias, jararacas e corais-verdadeiras.

O que mais impressiona é a enorme quantidade de espécies endêmicas, aquelas que só ocorrem numa determinada região. É o caso de 55 espécies de mamíferos, 188 de aves, 60 de répteis, 90 de anfíbios e 133 de peixes.

Dos mamíferos que freqüentam o manguezal, o mais característico é o guaxinim, que aparece ao anoitecer para caçar caranguejos.

Os manguezais caracterizam-se por uma formação vegetal litorânea que recobre depósitos lodosos dos estuários ou lagunas das regiões tropicais com solos do tipo hidromorfo.

O manguezal constitui a base da cadeia alimentar dos oceanos; o lodo e as raízes das árvores abrigam microorganismos, moluscos e pequenos invertebrados, fonte de matéria orgânica e alimento para os peixes.

A fauna é muito rica, sobretudo em crustáceos (caranguejos, siris e camarões), moluscos e outros invertebrados, além de algas e plâncton. As aves são numerosas: garças, maguaris, socós, colhereiros, flamingos, maçaricos, marrecas, irerês, biguás, saracuras, batuíras, anus, urubus e gaviões. Entre os répteis destacam-se o jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris).

No Brasil, as maiores ocorrências de manguezais encontram-se no litoral norte, entre o Maranhão e o AM

Um dos ecossistemas agregados à Mata Atlântica que também sofre com a especulação imobiliária são os manguezais.

Com uma vegetação peculiar, as áreas de mangues ocupam o trecho intermediário entre o mar e a serra. Mesmo sendo uma área de preservação permanente e constituirem ecossistemas muito importantes, os manguezais brasileiros têm sofrido com o crescimento exagerado do turismo em suas zonas de ocorrência, como na região de Iguape, no litoral sul de São Paulo, para dar lugar a estradas, moradias, complexos industriais e portuários e loteamentos de veraneio.

Muitos manguezais são usados como depósitos de lixo, dejetos industriais ou para despejos de esgotos (litoral sul da Bahia, baía de Guanabara); outros foram destruídos pela exploração de madeira, pela ocupação dos terrenos, pelos desmatamentos e aterros (canal de Bertioga; Cubatão). Em Angra dos Reis (RJ), a partir do final dos anos 50, registrou-se um rápido processo de devastação, com a instalação da indústria naval, terminal petrolífero, da rodovia Rio-Santos e da exploração imobiliária desencadeada pelo turismo.

Foram destruídos mais de 1 milhão de metros quadrados de mangues - 40% da vegetação nativa. A alternativa mais viável para a preservação dos manguezais é a criação de reservas biológicas, como o Parque Nacional de Superagui, próximo a Paranaguá (PR), que possui extensas áreas de manguezais razoavelmente intactas, bem como os da Estação Ecológica da Juréia, no Parque Estadual da Ilha do Cardoso (SP).

Parque Nacional de Superagui próximo a Paranaguá (PR)  25°25'0.00

Parque Nacional de Superagui próximo a Paranaguá (PR) 25°25'0.00

Estação Ecológica da Juréia no Parque Estadual da Ilha do Cardoso (SP)  25° 7'60.00

Estação Ecológica da Juréia no Parque Estadual da Ilha do Cardoso (SP) 25° 7'60.00