Plano para combater contaminação em aquíferos é exposto no Conselho Científico de Pesquisa Ambiental

O nitrato é o contaminante de maior ocorrência em aquíferos no mundo. Devido a sua alta mobilidade natural nas águas, o problema da contaminação pode evoluir e, dependendo de sua intensidade, pode atingir porções mais profundas dos aquíferos, inviabilizando seu uso para o abastecimento público ou privado.

Estudos hidrogeológicos desenvolvidos no Estado de São Paulo têm detectado esse contaminante em diversos poços rasos e profundos, nos aquíferos paulistas, tendo como fontes potenciais as fossas negras e sépticas, vazamentos na rede de esgoto e o uso intensivo de fertilizantes nitrogenados.

Em função disso, foi criado um grupo de trabalho no âmbito do Projeto Ambiental Estratégico Aquíferos, da Secretaria Estadual do Meio Ambiente - SMA, reunindo técnicos do Instituto Geológico - IG, Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental – CETESB, Coordenadoria de Recursos Hídricos – CRHi, Departamento de Águas e Energia Elétrica - DAEE, Instituto de Pesquisas Tecnológicas - IPT, Centro de Vigilância Sanitária - CVS e Universidade de São Paulo – USP, para elaborar um plano de ação visando evitar a contaminação e fornecer subsídios para a gestão de áreas que já apresentam contaminação por nitrato no Sistema Aquífero Bauru. O trabalho foi apresentado na última reunião do Conselho Científico de Pesquisa Ambiental, realizada em 04.08, em São Paulo.

O Aquífero Bauru é considerado a maior unidade hidrogeológica em área exposta do Estado, ocupando uma superfície de aproximadamente 96 mil quilômetros quadrados, em que vários municípios das regiões centro-oeste e noroeste do interior paulista captam suas águas e em boa parte destes o abastecimento é integralmente feito por água subterrânea.

O plano de ação foi exposto pelos pesquisadores Claudia Varnier e Ricardo Vedovello, diretor do IG, e inclui recomendações de curto e médio prazos, “que permitam nortear o poder público na elaboração de um programa de proteção” do Aquífero Bauru no Estado de São Paulo.

Entre as metas de curto prazo, com relação ao problema da falta de informação quanto à carga de nitrogênio lançada pelos sistemas de saneamento e atividades agropecuárias, por exemplo, o plano sugere como ação o cadastramento das fontes potenciais de contaminação e estabelece como produto a delimitação das zonas potenciais de contaminação. O documento indica ainda a necessidade de elaboração de novas normas ou portarias, revisão de resoluções, produção de folhetos explicativos e orientativos e diversas outras ações. As diversas ações e produtos sugeridos deverão ser implementados em parceria pelas instituições envolvidas na gestão de recursos hídricos subterrâneos e em conformidade com as atribuições de cada órgão.

A reunião do Conselho Científico incluiu também um relato, da Dra. Lilian Zaidan, do Instituto de Botânica, sobre os produtos do “1º Encontro de pesquisa sobre cerrado e formações florestais associadas no Estado de São Paulo”, realizado em maio último, em Itirapina, e o lançamento das publicações “Memórias do Conselho Científico da Secretaria do Meio Ambiente: a síntese de um ano de conhecimento acumulado” e “Restinga – Conceitos e Empregos do Termo no Brasil e Implicações na Legislação Ambiental”.


Dr. Ricardo Vedovello
Dr. Ricardo Vedovello
 diretor do IG.
diretor do IG.