Miguel Reale Júnior participa do programa “Investindo em Gente”

“O Brasil é um país sério?”. Ao colocar esta pergunta como tema de sua palestra, o jurista Miguel Reale Júnior espera já deixar explícita a resposta: “O Brasil não é um país sério”. Os aspectos históricos, sociais, políticos e culturais que envolvem esta resposta taxativa foram os que Reale Júnior tratou, nesta quarta-feira (18/06), em São Paulo, com os funcionários da Secretaria Estadual do Meio Ambiente, em mais uma edição do programa “Investindo em Gente”. O evento é um espaço de discussão e cidadania, que procura fugir dos temas cotidianos dos funcionários da SMA, e que já trouxe o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o escritor Ignácio de Loyola Brandão e o jornalista Heródoto Barbeiro, para um momento de reflexão.

Em sua palestra, Reale Júnior fez um traçado histórico do Brasil, da escravidão até a redemocratização do país, mostrando como o período da escravatura deixou marcas na formação da sociedade brasileira. Para ele, a hipocrisia, falta de respeito ao outro e as relações com o trabalho daquela época trazem reflexos até os dias atuais.

“Pouca coisa mudou. No plano da república brasileira, o que é que variou?”, questionou o jurista, apontando que entre a Revolução de 1932, passando pela ditadura, golpe militar e restaurações da democracia, a forma de gestão pública, confundindo o público com o privado, continuou a mesma. Reale Júnior ainda criticou a capacidade política de indicação de cargos e benefícios, e a falta de continuidade administrativa com as trocas de governo.

Para o palestrante, o processo eleitoral brasileiro está viciado e criou uma estrutura que enfraquece os partidos políticos, “onde candidatos dos próprios partidos são adversários”. Apesar de tantas críticas, Reale Júnior não é cético. Acredita na reconstrução do Brasil, “mas isso é um processo lento”, afirmou. Para se mostrar otimista, finalizou o seu encontro parafraseando um provérbio chinês: “se não dermos o primeiro passo, não chegaremos lá”.

Miguel Reale Júnior é advogado criminalista, professor titular da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e Membro da Academia Brasileira de Letras (cadeira 02). Foi secretário de Administração do Estado de São Paulo durante o governo Mário Covas e ministro da Justiça no período de abril a julho de 2002.


O jurista questionou a seriedade da país e apresentou razões históricas e culturais
O jurista questionou a seriedade da país e apresentou razões históricas e culturais
Ao final
Ao final
 Miguel Reale Jr. foi homenageado pelo secretário Xico Graziano
Miguel Reale Jr. foi homenageado pelo secretário Xico Graziano
O público ouviu atento às reflexões do jurista
O público ouviu atento às reflexões do jurista