Juréia-despraiado-pico dos Itatins

Este é um roteiro para quem quer isolamento. A maior parte do tempo fica-se somente em contato com a natureza. As poucas pessoas que vamos encontrar no meio da Juréia, são pessoas que quase nunca ou nunca mesmo foram à cidade grande. Portanto há que se ter um extremo cuidado no contato com estas pessoas.
Mas converse com eles com muita paciência e ouça o que eles têm para dizer.
Pode-se aprender muita coisa com eles.
Jamais vá com grupos grandes para lá (no máximo 4 ou 5 pessoas). Grupos
grandes alteram demais o ambiente. E não há nenhuma estrutura para isto lá, além de ser meio difícil achar lugar para várias barracas. O objetivo do ecoturismo num lugar como a Juréia é justamente conservar o lugar.
O nosso passeio começaria em Iguape, porém, chegando lá descobrimos que
não havia sequer um camping ali. A alternativa, aliás muito boa, foi pegarmos a balsa e descermos em Ilha Comprida, onde sabíamos que havia uns três campings.
Eu disse boa, primeiro porque o passeio de balsa é muito agradável (e gratuito para quem está de bicicleta), e depois porque é uma oportunidade de se acampar perto
da praia. A balsa sai de meia em meia hora até a meia noite. Depois só volta a funcionar às 2:00h e fica de hora em hora até às 6:00h, quando volta ao normal (melhor confirmar os horários). Saindo da balsa, segue-se a rua à direita. Pergunte pelos campings na praia (Britânia R$ 5,00 - 4km da balsa).
É bom acordar cedo, porque o dia tem que render bastante se quisermos
dormir já na estrada de terra, longe do asfalto. Voltamos para Iguape e pegamos a estrada que leva à BR-116. Da balsa até o início da estrada marcamos 4 km. A partir daí a pedalada fica muito tranqüila (serão 51,5 km de asfalto). O asfalto é muito bom e a grande maioria do trecho é plana. Seria um ótimo passeio, não fosse o fato de a estrada não ter acostamento asfaltado. Quando dois caminhões se cruzam na pista, sobra pouco espaço para quem está de bicicleta. Mas isso não chegou a ser um problema muito grande, pois o trânsito estava pequeno e quase sempre havia um acostamento de terra. De qualquer jeito, o quanto antes sairmos
do asfalto melhor.
A entrada para a Estrada do Despraiado (ou Espraiado) fica no km ?
(contando da BR para Iguape), no pé da serra, como todos informam lá. Percebe-se nitidamente uma serra pela frente, e logo antes da primeira subida, entramos à direita na Estrada do Despraiado. Ali há algumas casas, onde podemos pedir água e talvez um lugar para acampar se a no
Tem alguns trechos com mata em volta e outros com vistas muito legais.
Num deles, temos uma vista muito bonita do Pico Dedo de Deus e do Itatins.
Do ângulo em que olhamos da estrada, o Itatins fica à esquerda do Dedo de Deus e se olharmos bem enxergamos uma torre de transmissão um pouco abaixo do Itatins. O Dedo de Deus - o nome já diz, é o que tem formato de dedo. (Nota: deduzimos depois que no mapa do IBGE (carta de Miracatu 1 : 50mil), onde está escrito Dedo de Deus, é na verdade o Itatins).
A pedalada até o Despraiado é bem sossegada (sem muitas subidas).
Os únicos obstáculos grandes, são dois rios que temos que atravessar.
Quer dizer, na verdade é o mesmo rio (Rio Despraiado) que atravessamos duas vezes. Ele faz uma pequena voltinha, que a estrada simplesmente ignora. Esta voltinha é visível no mapa.
A travessia não foi muito difícil (água pelo joelho), mas tivemos que carregar as coisas. (Depois ficamos sabendo que na época de cheia (verão) o rio sobe demais e a travessia fica impossível).
É bom tomar cuidado pois as pedras são muito escorregadias.
Há uma ponte que foi abandonada no início de sua construção (ainda antes
de a Juréia virar parque). Isto até gerou uma certa confusão, pois lá atrás nos informavam que teríamos de atravessar o rio lá na ponte. Só não avisavam que a ponte era só para ponto de referência...
Depois da primeira travessia e antes da segunda, fica a chácara do Seu
Peixe, um senhor que é uma espécie de representante da pequena comunidade local.
Vale a pena conversar um pouco com ele. Logo depois da segunda travessia, a segunda casa é uma Xiboquinha, como eles dizem lá. É um boteco que acho, deve ser o único lugar onde se pode comprar alguma coisa (banana e mandioca são abundantes na região).
Uns nos disseram que o Bairro Despraiado já tinha passado e que ali era o Costão do Despraiado, mas depois nos disseram que tudo ali era, sim, o
Despraiado. Ficamos sem saber. Se for acampar por ali, não acampe na beira do rio, apesar de parecer agradável, os moradores disseram que quando chove, não demora meia hora para o rio cobrir toda a margem com uma enxurrada.
Também não deixe seu lixo ali (mesmo que eles ofereçam!). Lembre-se: está longe de passar um caminhão de lixo por ali, então você estaria sujando o parque.
Este é ponto de partida para quem quer deixar as bicicletas e subir até o Pico do Itatins. O Paulo, filho do dono da xiboquinha foi nos guiando e abrindo caminho com facão. Informe-se na xiboquinha ou com o seu Peixe se alguém pode guiar o caminho. A caminhada é pesada, e é bom estar preparado porque vimos algumas cobras na trilha. Saímos lá pelas 7:30h. A trilha começa atrás da escola, algumas centenas de metros depois da xiboquinha, do lado direito da estrada (para chegar à escola atravessamos uma pinguela e depois uma pequena ponte pênsil. A subida
é constante até lá em cima, cerca de 1100m. A trilha é uma antiga estradinha pavimentada onde só subiam Jeeps. Porém foi abandonada há muito tempo e está tomada pelo mato. Em alguns trechos, andamos laramente em cima da pavimentação, mas em outros não vemos nem sequer sinal dela e não é muito difícil errar o caminho. Num passo bom, com guia, demoramos 3:30h para subir.
Chegamos até a torre de transmissão desativada.
Ainda não é o pico, mas dali já temos uma vista incrível. A torre tem uma escadinha e, apesar da idade, parece estar bem conservada. Da torre temos uma visão maravilhosa: o mar! Conseguimos ver a Ilha Comprida e até a Ilha do Cardoso a olho nu (A Ilha do Cardoso está a mais ou menos uns 80km (?)). Com o binóculo achamos Iguape.
A visão não é total pois o morrote mais alto ainda está à nossa frente. Não é possível ver o Dedo de Deus. Parece que há uma trilha para subir, mas se quiséssemos fazer isso, deveríamos ter saído mais cedo, ou nos programado para dormir por aqui. Ao lado da torre existem umas três ou quatro casinhas caindo aos pedaços, mas que talvez fossem um bom lugar para se armar a barraca. (O pico deve ser o pior local para se ficar em caso de tempestade elétrica. Desça rápido!). Há água lá em cima. A trilha que leva para uma velha caixa d’água desce uns dois minutos a partir dos bambuzinhos a alguns metros da torre.
De volta às bicicletas, temos bastante esforço pela frente antes de
retornarmos à civilização. O desnível a subir é de mais ou menos 300m. É uma pequena serrinha. As subidas são bem íngremes e por vezes tivemos que saltar e empurrar a bicicleta. Porém, o trecho inicial (primeira parte do dia) é o pior. O primeiro ponto onde há algum boteco é Três Barras, 12,6 km depois da xiboquinha.
Dali até Pedro de Toledo, (5,5km), é pista asfaltada e sem movimento. Uma tranqüilidade.
Em Pedro de Toledo há ônibus direto para São Paulo, da viação 9 de Julho
(Terminal Tietê). Ou para Santos e depois para São Paulo, como foi a nossa opção para facilitar a chegada de bicicleta em São Paulo (Terminal Jabaquara).
São Paulo - Iguape V. 9 de Julho Fone:
6:00 11:00 15:30 18:15 20:00
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