Fórum debate as oportunidades do novo cenário energético

A competitividade da produção de energias renováveis e a recente descoberta de petróleo na camada do pré-sal foram os temas centrais do debate “o novo cenário energético mundial e as oportunidades para o Brasil”, realizado em 24.09, pela revista Exame. O encontro promoveu três debates de destaque: “O futuro do petróleo e o pré-sal: como a nova ordem mundial altera a demanda por esse tipo de energia”, “O papel do Brasil como fornecedor de energia e de tecnologia para o resto do mundo” e “Etanol: quais as condições para a sobrevivência do setor e as lições aprendidas com a crise”, que teve a participação do secretário estadual do meio ambiente, Xico Graziano.

O debate também contou com a participação do presidente da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo – UNICA, Marcos Jank e do diretor geral da Amyris Pesquisa e Desenvolvimento de Biocombustíveis, Roel Collier. Graziano ressaltou que o etanol integra parte do processo de mudança de padrão social. “Estamos passando pelo paradigma de uma nova economia mundial, que poderá levar décadas para mudar”.
 
Para o secretário, o marco regulatório do pré-sal remete ao século passado. “A agenda do pré-sal deveria conter um viés ambiental. Com estes recursos deveríamos investir nesta nova economia que o mundo está esperando”, declarou. De acordo com Marco Jank, apesar do setor ter sofrido com a crise econômica mundial, a visão é de um futuro de oportunidades. “A cana já é a segunda fonte de energia do país. Seria um retrocesso para o Brasil, que possui 46% de sua matriz energética limpa, investir em energias não renováveis”, enfatizou.
 
Segundo Collier, o mercado internacional vê com bons olhos a produção de energia a partir da biomassa da gramínea. “A cana está sendo vista cada vez mais como uma fonte renovável e competitiva de energia”, pontuou. Também presente ao evento, o professor do Instituto de Eletrotécnica e Energia da Universidade de São Paulo, José Goldemberg, enfatizou a competitividade do biocombustível brasileiro. “O etanol de cana está tão bem estabelecido que nem o petróleo mais baixo o enfraquece. Com o petróleo a 35 dólares o barril, o etanol é competitivo mundialmente”.
 
Protocolo Agroambiental
 
O Protocolo Agroambiental assinado entre a Secretaria Estadual do Meio Ambiente – SMA e os produtores de etanol comprova, na prática, que o desenvolvimento econômico aliado à preservação ambiental é uma realidade. Das 198 usinas paulistas, 160 aderiram ao protocolo, o que representa 90% da moagem de cana de açúcar no Estado de São Paulo.
 
Entre os compromissos assumidos pelos produtores constam ações de reflorestamento, implantação de sistemas preventivos de combate aos incêndios acidentais e programas de reuso de água. Dentre as ações vale ressaltar a abreviação do fim da queima da palha da cana, prevista inicialmente para 2031, mas antecipada para 2014.

Roel Collier
Roel Collier
 Xico Graziano e Marcos Jank em debate
Xico Graziano e Marcos Jank em debate
Graziano ressaltou a necessidade de mudança para uma nova economia
Graziano ressaltou a necessidade de mudança para uma nova economia