Evento discute mudanças climáticas na rotina das cidades

22/06/16 13:54

Evento discute mudanças climáticas na rotina das cidades

Pesquisadores apresentam ações para minimizar seus impactos

Um assunto tem tomado conta dos noticiários no último mês: o aumento do frio. A cidade de São Paulo registrou temperaturas abaixo de 10 graus centígrados, o que não ocorria, em um final de outono e início de inverno, desde 1989.

Preocupados com essas questões de alterações frequentes no clima, especialistas se reuniram no auditório da SMA/Cetesb, em 22/06, para discutirem estudos sobre as mudanças climáticas em todo o país, as suas consequências e como antecipar ações no intuito de minimizar seus impactos.

A mudança no clima pode afetar os municípios de várias formas, em especial, as áreas costeiras, que são sujeitas a erosão. Para Andrea Santos, secretária executiva do Painel Brasileiro de Mudanças Climáticas (PBMC), um grande desafio é adaptar as cidades brasileiras a esses eventos. “Promover o debate sobre o tema é uma maneira de engajar a sociedade”, completa.

Andrea Santos (foto:José Jorge)

Andrea Santos (foto:José Jorge)

No Brasil, 56% dos desastres naturais estão associados as fortes chuvas, causa de enchentes e desmoronamentos, resultados de um crescimento urbano não planejado. José Marengo, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), diz que incluir nos planos diretores municipais ações que minimizem os impactos causados pelos desastres climáticos é primordial.

Jose Marengo (foto:José Jorge)

Jose Marengo (foto:José Jorge)

A participação humana no aquecimento global e nas mudanças climáticas está comprovada, então a sua cooperação nas soluções dos problemas é uma necessidade crescente. “A comunidade deve mudar os seus hábitos. Começar a incluir na rotina o compartilhamento dos bens de consumo e de espaço, como o carro e o escritório, assim como a reciclagem”, salienta Suzana Kahn, do comitê cientifico do PBMC.

Carlos Roberto (foto:José Jorge)

Carlos Roberto (foto:José Jorge)

O workshop: ‘As mudanças climáticas e as cidades brasileiras – riscos e medidas de respostas’ foi promovido pelo PBMC e contou com o apoio da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). Carlos Roberto dos Santos, diretor de Engenharia e Qualidade Ambiental, ressaltou que “a questão climática deixou de ser uma tese e a realidade enfrentada pelas cidades necessita de ações imediatas”. A Cetesb, como agência ambiental do Estado, acompanha o tema e colabora com pesquisas e trabalhos desde 1995. “Um olhar crítico seguido de ações planejadas para o desenvolvimento das cidades é fundamental para conter as crises climáticas”, frisa Josilene Ferrer, gerente da Divisão de Mudanças Climáticas.

Josilene Ferrer (foto: José Jorge)

Josilene Ferrer (foto: José Jorge)

Os pesquisadores presentes chegaram ao consenso de que um desenvolvimento ordenado, um crescimento urbano planejado e decisões de governo que levem em conta novas tecnologias e pesquisas sobre o tema são importantes para minimizar os impactos negativos advindos dos desastres climáticos.