Controvérsias sobre a energia nuclear

As recentes explosões dos reatores nucleares de Fukushima Daiichi, no Japão, aumentaram os preconceitos e as críticas contra a energia nuclear, mas não devem alterar os planos do governo federal de manter o ritmo de construção da usina Angra 3, que deve entrar em operação em 2021, segundo especialistas da área.

“Depois do acidente no Japão, vamos fazer uma revisão dos procedimentos de segurança, mas não vejo sentido em abandonar a geração elétrica nuclear no Brasil, porque as necessidades energéticas continuam”, comentou Leonam dos Santos Guimarães, assistente da presidência da Eletronuclear, em um debate promovido no dia 17 na Faculdade de Economia e Administração (FEA) da Universidade de São Paulo (USP).

O físico José Goldemberg reconhece que a energia nuclear, tanto quanto outras formas de energia renovável como a biomassa e a eólica, é necessária para complementar a matriz energética do país, mas considera simplista a hipótese de que o crescimento econômico depende diretamente do crescimento da oferta de eletricidade.

“Os países ricos não adotam mais essa premissa, porque aumentaram a eficiência energética, que aparece como preocupação de segunda ordem no planejamento brasileiro”, disse ele.

“Nessa área, todos os pontos de vista são controversos”, observou o economista José Eli da Veiga, organizador do livro “Energia Nuclear – do anátema ao diálogo” (Editora Senac, R$ 35), do qual Guimarães e Goldemberg participam como co-autores.