Acordo irá ampliar a restauração de florestas nas áreas de mananciais do Cantareira e do Alto Tietê

27/11/14 19:22

Acordo irá ampliar a restauração de florestas nas áreas de mananciais do Cantareira e do Alto Tietê

A organização ambiental The Nature Conservancy vai compartilhar mapeamento realizado por seus cientistas para viabilizar o plantio de até 40 milhões de mudas em locais estratégicos para a disponibilidade de água em São Paulo

Em uma das mais importantes iniciativas de reflorestamento de mananciais já realizadas no Brasil, a organização ambiental global The Nature Conservancy (TNC) apoiada pela Aliança de Fundos de Água da América Latina (Aliança), e a Secretaria do Meio Ambiente do Estado de São Paulo (SMA) assinaram, em 25 de novembro, um convênio de cooperação para destinar investimentos públicos e privados de até R$ 300 milhões à restauração de florestas em trechos prioritários das bacias hidrográficas dos sistemas Cantareira e Alto Tietê. Os recursos são provenientes de empresas e pessoas físicas obrigadas a investir em compensações ambientais por causa da derrubada legal ou ilegal de árvores. Muitas delas têm dificuldade para encontrar áreas disponíveis para o plantio ou precisam fragmentar a compensação em muitos terrenos distintos.

O acordo vai facilitar que sejam plantadas cerca de 40 milhões de mudas, em uma área que pode chegar a 20 mil hectares, nos próximos cinco anos. A compensação ambiental vai tornar-se mais fácil de ser cumprida e ecologicamente mais relevante porque a TNC vai compartilhar um mapeamento das áreas críticas para a produção de água nas bacias dos sistemas Cantareira e Alto Tietê. Esse levantamento, realizado por cientistas da TNC e apoiado pela Aliança, a partir de metodologia desenvolvida pela organização, indica que a recuperação de apenas 3% das áreas desmatadas em pontos críticos – aproximadamente 14 mil hectares – seria suficiente para reduzir o assoreamento de rios e nascentes em até 50%. A organização ambiental também vai ajudar o governo a identificar produtores rurais interessados em aderir ao projeto, de forma a criar um banco de propriedades disponíveis para receber a compensação ambiental. “É uma medida que trará mais agilidade para a restauração florestal sem onerar o contribuinte”, diz o secretário de Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Rubens Rizek.

A recuperação de mananciais vai aumentar a disponibilidade de água nos dois sistemas de abastecimento mais importantes do estado de São Paulo, que já perderam mais de 70% da sua vegetação original. Experiências bem-sucedidas de restauração florestal em áreas de mananciais,  como as dos municípios de Extrema (MG) e Nova York (EUA), mostram que a presença de florestas é decisiva para evitar a erosão do solo e manter a quantidade e a qualidade da água nos reservatórios.

Segundo o especialista em recursos hídricos da TNC, Samuel Barrêto, a recuperação de áreas críticas dos mananciais também trará benefícios como a proteção da biodiversidade da Mata Atlântica e a adaptação a extremos climáticos, a exemplo da seca atual. “É um passo muito importante para incorporar a natureza como parte da solução para o abastecimento de água, além de ampliar outros serviços ambientais. São Paulo ganha a oportunidade de se tornar referência mundial nesse tema”, afirma Barrêto.

A capital paulista é uma das cinco metrópoles, entre as cem maiores do mundo, que teriam maior retorno financeiro sobre o investimento na recuperação da mata ciliar, segundo o estudo global Planos de Água para as Cidades, divulgado pela TNC neste mês.