Acidente já ameaça cadeia alimentar no Golfo do México

Pesquisadores afirmam ter detectado os primeiros sinais de que um extenso derramamento de petróleo no Golfo do México (Estados Unidos) está alterando a cadeia alimentar submarina, ao matar ou contaminar algumas criaturas e a estimular o desenvolvimento de outras, mais adaptadas ao ambiente sujo. "Se você muda a base da cadeia alimentar, isso vai se propagar por toda ela", avaliou o cientista marinho Rob Condon, que encontrou bactérias com afinidade pelo óleo na costa do Alabama, a mais de 145 quilômetros da plataforma Deepwater Horizon, da British Petroleum, cuja explosão, em abril, desencadeou a crise atual. Perto da região do derramamento, cientistas documentaram uma alta mortandade de pirossomos, organismos gelatinosos que servem de alimento para tartarugas marinhas. Ao longo da costa, gotículas de óleo estão sendo encontradas no interior da carapaça de caranguejos jovens que são o principal ingrediente da dieta de peixes, tartarugas e pássaros. E, na base da cadeia alimentar, organismos minúsculos que consomem óleo e gás estão proliferando. Boa parte do vazamento - estimado em 689 milhões de litros de petróleo e 340 milhões de metros cúbicos de gás - foi quebrada em gotículas por dispersantes químicos na região do poço. Isso reduziu o impacto direto do petróleo nas praias e manteve muito do óleo e do gás em suspensão na água. Entretanto, jovens caranguejos nascidos ao largo da costa podem estar trazendo o óleo - preso em suas carapaças - para os estuários. O transporte do petróleo por pequenos seres vivos pode levar o impacto para uma área maior que a estimada inicialmente, estima o cientista Caz Taylor. Se esses impactos persistirem, os cientistas advertem que uma alteração da vida marinha poderá ter um efeito em cascata sobre todo o ecossistema e colocar em perigo a indústria pesqueira da região.